A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais — sancionada recentemente pelo governo federal — já provoca discussões entre economistas sobre seus impactos na economia. A medida, que entra em vigor em janeiro de 2026, deve aumentar a renda disponível de milhões de contribuintes, mas especialistas alertam para efeitos colaterais importantes.
Segundo análise divulgada pela consultoria MB Associados, a política pode gerar um “choque de consumo” no curto prazo. Com mais dinheiro no bolso, especialmente entre famílias de renda baixa e média, a tendência é de aumento imediato nas compras, sobretudo em setores como alimentos, vestuário e serviços.
O problema, afirmam os economistas, é que esse movimento acontece enquanto o país ainda tenta equilibrar inflação e juros. O acréscimo repentino de demanda, sem contrapartida equivalente na oferta, pode pressionar os preços, estimulando novas altas inflacionárias. Isso forçaria o Banco Central a adiar cortes ou até elevar novamente a taxa Selic, afetando crédito, investimentos e ritmo da recuperação econômica.
Outra preocupação do mercado é o impacto fiscal da medida. A renúncia de receita ampliará o desequilíbrio nas contas públicas, aumentando a desconfiança entre investidores e afetando expectativas futuras sobre juros e inflação. Para analistas, sem compensações claras de arrecadação ou corte de gastos, o governo corre o risco de incentivar consumo no curto prazo e criar instabilidade no médio.
Apesar dos alertas, o governo defende que a isenção ampliada é uma forma de aliviar a carga tributária sobre quem ganha menos e estimular a economia de forma “socialmente justa”.
Por: Augusto Kemmerich
Foto: Joédson Alves/ABr
Fontes: InfoMoney e Conexão Política




















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