A crise que assombra o Internacional ganhou capítulos ainda mais graves após o vexame contra o São Paulo. No intervalo da partida, quando o time já perdia por 2 a 0, o zagueiro Juninho virou alvo de cobranças duríssimas dos próprios companheiros. Testemunhas relatam uma discussão pesada enquanto o elenco descia para o vestiário, simbolizando o descontrole emocional de um grupo que, há meses, vive em estado de ebulição. O episódio, porém, está longe de ser um caso isolado — é apenas mais um reflexo da profunda desunião que há muito contamina o ambiente colorado e ajuda a explicar a péssima campanha no Brasileirão.
Conflitos internos tornaram-se rotina no clube. Em derrota recente para o Palmeiras, Mercado e Carbonero protagonizaram um desentendimento tão grave que quase terminou em agressão. Pessoas presentes precisaram intervir rapidamente para evitar que a briga tomasse proporções ainda maiores. Pouco depois, outro choque abalou o ambiente: em Salvador, após o revés para o Bahia, o dirigente D’Alessandro e o lateral Bernabei bateram boca de forma áspera, deixando claro que a turbulência não se restringe apenas aos atletas — ela atinge todos os setores do departamento de futebol.
A situação ficou ainda mais tensa quando Bernabei passou a ser mencionado em denúncias envolvendo sua vida pessoal, rumores que acabaram respingando em outros jogadores e ampliando o caos interno. A diretoria, percebendo a gravidade da crise, tentou intervir: organizou uma atividade coletiva em um hotel em Viamão para tentar reaproximar jogadores, comissão e funcionários. A tentativa, porém, fracassou. O clima de divisão, desconfiança e falta de sintonia permaneceu intacto, agravando as preocupações num momento em que o clube luta para escapar do pior cenário possível.
Foto: SC Internacional/Reprodução
